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HERDEIROS DO PORVIR
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S.A.R. D. Antônio

D. Antônio de Orleans e Bragança completa 70 anos – entrevista exclusiva

Por ocasião de seu 70º aniversário natalício no dia 24 de junho, o Príncipe D. Antônio de Orleans e Bragança, terceiro na linha de sucessão ao Trono do Brasil, gentilmente concordou em conceder uma entrevista ao “Herdeiros do Porvir”, respondendo a perguntas sobre sua formação familiar e profissional, sua visão de mundo e perspectivas em relação ao Brasil e à eventual restauração da Monarquia, dentre outros temas. É a primeira entrevista que D. Antônio concede depois de se ter recuperado plenamente da gravíssima enfermidade que o acometeu no início deste ano. Temos certeza de que despertará grande interesse entre nossos leitores.

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S.A.R. Dom Antônio de Orleans e Bragança

Herdeiros do Porvir: Alteza, como é alcançar a marca de sete décadas de vida?

D. Antônio: Ao completar 70 anos de idade, agradeço a Deus e a Maria Santíssima por terem me dado a graça de ter vivido todos esses anos; pelos pais que tive e por ter nascido em uma família numerosa; por minha esposa e filhos, que são meus tesouros; e pela honra de ser brasileiro, com a missão de servir ao meu País.

HP: Como foi a formação familiar de Vossa Alteza? Quais valores recebeu de seus pais? E de seus antepassados, qual é aquele que mais admira e por quê?

Dom Antônio: Meus onze irmãos e eu tivemos uma educação maravilhosa, no campo, no Norte do Paraná e em Vassouras. Mesmo com dificuldades de ordem material, nossos saudosos pais, D. Pedro Henrique e D. Maria, fizeram questão de nos transmitir sua fé católica e seu amor pelo Brasil, para que jamais nos esquecêssemos de nossas obrigações para com a Pátria. Em relação aos meus antepassados, não tenho como escolher o que mais admiro, mas posso dizer que para mim é uma grande honra, e também uma grande responsabilidade, descender de figuras tão importantes, que levaram o Brasil a estar entre os primeiros do concerto das Nações. Mas confesso que sempre tive uma admiração muito especial pela Princesa D. Isabel.

HP: Poderia falar um pouco sobre sua formação acadêmica e atividade profissional?

Dom Antônio: Em 1976 concluí o curso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia de Barra do Piraí. Como engenheiro, trabalhei
D. Antônio de Orleans e Bragança completa 70 anos – entrevista exclusiva
primeiro na Construtora Adolpho Lindenberg, onde comecei como estagiário, e depois na NUCLEN, empresa de capital misto formada pela Nuclebrás e pela empresa alemã KWU. Depois, trabalhei na assessoria da presidência da Varig Agropecuária S.A. e na área comercial de diversas empresas do Grupo Belgo-Mineira. Atualmente estou aposentado.

HP: E de suas aquarelas?

Dom Antônio: Calculo que tenha pintado até o momento cerca de seiscentas aquarelas. Em minhas aquarelas, gosto de retratar o Brasil profundo, verdadeiro, com igrejas, casarões, fazendas coloniais e paisagens, mostrando as belezas do nosso País. Pinto também cenários europeus, especialmente de Portugal, onde retratei diferentes quintas, casarões históricos e paisagens de diversas cidades, mas também retratei cenários franceses, belgas e espanhóis. É importante ressaltar que considero minhas aquarelas boas, se não jamais usaria meu nome e meu título para expô-las, e que pintar sempre me trouxe muita alegria e realização por poder retratar motivos que me tocaram profundamente.

HP: Além da pintura, poderia nos dizer quais são seus gostos e passatempos?

Dom Antônio: Sou grande apreciador do golfe, e no futebol torço pelo Fluminense. Também me interesso por livros e documentários sobre temas históricos e religiosos, e, quando posso, gosto de passar o tempo com meus netos, que infelizmente moram muito longe de mim.

HP: Em março, V.A. foi contagiado pelo novo vírus proveniente da China, do qual graças a Deus se recuperou. Poderia falar um pouco sobre o período dessa terrível experiência?

Dom Antônio: Acredito que foi um período muito difícil, não tanto para mim, mas para os meus familiares, pois permaneci boa parte do tempo em coma induzido, em estado grave. Sou muito grato a Deus, a Nossa Senhora do Carmo e a São Pio de Pietrelcina por minha recuperação. Não posso deixar de externar minha eterna gratidão à equipe de médicos e enfermeiros da Casa de Saúde São José, que cuidaram tão bem de mim, e que vêm sendo os verdadeiros heróis da atualidade. Também agradeço de todo o coração aos amigos e monarquistas por seu apoio a mim e aos meus familiares, pelas orações feitas e pelas missas celebradas em minha intenção, e rogo a Deus que lhes retribua com graças especiais. Por fim, gostaria de dizer que me solidarizo e estou em oração por todos aqueles que estão sofrendo, direta ou indiretamente, em decorrência da pandemia.

HP: E o que pensa do fato de muitos atribuírem sua cura à intercessão de sua bisavó, a Princesa D. Isabel, cujo processo de beatificação espera-se que corra na Arquidiocese do Rio de Janeiro?

Dom Antônio: Sinto-me muito honrado por saber disso, mas devo deixar a decisão nas mãos das autoridades eclesiásticas, as quais respeito muito, pois penso que a Família não deve interferir nesse processo, para não se tornar um motivo de vaidade pessoal.

HP: V.A. foi o único Príncipe do Brasil de sua geração a fazer um casamento dinástico. O que pensa desta tradição?

Dom Antônio: Não fui o único; minha irmã D. Eleonora também fez um casamento dinástico. Penso que é fundamental respeitar a tradição, tanto para mim quanto para os meus descendentes.

HP: De que forma buscou transmitir aos filhos a fidelidade ao ideal monárquico?

DA: Seguindo o exemplo de meus pais, e também dos pais de minha esposa, procuramos dar aos nossos filhos uma boa educação e uma sólida formação moral e religiosa, ensinando-os a amar a Deus, ao próximo e ao País, tendo sempre em mente que eles devem estar prontos para servir ao Brasil, em qualquer campo e a qualquer momento que os brasileiros pedirem.

HP: V.A. viaja com frequência à Europa e tem muitos familiares europeus. Como percebe o atual projeto de poder da União Europeia, que parece caminhar para um “Estado artificial”, uma espécie de “República da Europa”?

Dom Antônio: De fato, a União Europeia tem um projeto de poder marcadamente republicano e, o que é ainda pior, de viés socialista, que não respeita as legítimas aspirações e diversidades dos povos europeus. Por isso, penso ter sido salutar a atitude do Reino Unido de deixar o bloco, e faço votos para que outros países sigam esse exemplo. Penso que um modelo muito mais sadio seria baseado nos ideais monárquicos e católicos, com respeito às tradições e à soberania das diversas nações.

HP: Como é a relação de V. A. com as Casas Reais europeias, reinantes e não-reinantes, com as quais é aparentado?

Dom Antônio: Sou particularmente próximo de meus primos da Família Real da Baviera, sobrinhos de minha mãe, e dos Príncipes de Luxemburgo, familiares de minha esposa. Também não poderia deixar de mencionar as Famílias Reais de Portugal e da França, chefiadas por meus primos, o Duque de Bragança e o Conde de Paris.

HP: Qual a sua opinião em relação à atual situação do Brasil?

Dom Antônio: Tivemos uma primeira grande vitória quando rechaçamos, através do impeachment em 2016 e das eleições de 2018, um projeto de poder socialista, cuja intenção era transformar o Brasil em uma grande Venezuela. Agora temos um governo que defende os valores cristãos, a família e o Direito Natural; é um governo mais alinhado com os anseios legítimos do povo brasileiro, que é naturalmente ordeiro e de uma bondade imensa. Contudo, a forma de governo republicana, por si só, não permite que projetos de longo prazo sejam levados a cabo; por isso, é imprescindível restaurarmos a Monarquia.

HP: E quais são suas perspectivas quanto à restauração da Monarquia?

Dom Antônio: Só Deus sabe quando a restauração se dará, mas tenho muita fé de que será logo. A República chegou ao fundo do poço, está em seus estertores, levada pela corrupção e pela degradação moral que trouxe ao País. Para voltarmos à harmonia, é necessário antes restaurarmos no Brasil uma Monarquia Parlamentar Constitucional, tendo os Dez Mandamentos como cláusulas pétreas.

HP: Como tem sido a atuação de V.A. em prol da restauração monárquica?

Dom Antônio: Trabalho em consonância com os princípios e ideais defendidos por D. Luiz e, antes dele, por nosso pai. Neste sentido, assim como D. Bertrand, percorro todo o Brasil, participando de Encontros Monárquicos, eventos correlatos e solenidades, concedo entrevistas à imprensa e, o que é o mais importante, mantenho contato direto com meus compatriotas. Somos um povo cheio de diversidades, mas ao mesmo tempo muito coeso em sua “brasilidade”, uma herança da Monarquia, que uniu e pacificou o País.

HP: Restaurada a Monarquia, qual deveria ser, na sua opinião, a primeira ação do Imperador do Brasil?

Dom Antônio: Penso que esta pergunta seria melhor respondida por D. Luiz, que seria o Imperador, mas acredito que devemos nos orientar pelo documento “Propostas Básicas com vistas à restauração da Monarquia no Brasil”, de 1991, particularmente na elaboração de uma Constituição baseada na de 1824, com as necessárias adaptações à atual realidade brasileira. Naturalmente, deverá ser celebrado um Te Deum em agradecimento à Divina Providência pela Restauração, e devemos rogar a Deus que ilumine o Imperador, para que possa cumprir sua missão de conduzir os destinos da Nação.

HP: Poderia deixar um recado aos leitores de Herdeiros do Porvir e aos monarquistas em geral?

Dom Antônio: Em primeiro lugar, quero agradecer a todos, antigos e novos monarquistas, cujas contínuas provas de lealdade à Família Imperial têm sido ora empolgantes, ora tocantes. Vamos juntos, trabalhar por um Brasil melhor, que sei que virá por meio da restauração da Monarquia, com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. E podem ter certeza de que D. Cristine, nossos filhos e eu estaremos sempre à disposição da Nação.


Pró Monarquia é uma associação cívico-cultural sem fins lucrativos, fundada em 1990, que tem por finalidade promover, orientar e coordenar iniciativas voltadas à restauração do regime monárquico de governo no Brasil, observada a legitimidade dinástica. Assim, sob os auspícios do Chefe da Casa Imperial do Brasil S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, realiza e incentiva atividades de estudo, formação e divulgação concernentes à Dinastia brasileira, à nossa história, valores e tradições, bem como à excelência do regime monárquico enquanto tal e à realidade nacional, de modo a obter a coesão dos monarquistas brasileiros em torno de um mesmo ideário e atrair para a causa monárquica a simpatia e a adesão dos compatriotas.