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DOM LUIZ DE ORLEANS E BRAGANÇA (1878-1920)
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Dom Luiz e Dona Maria Pia
Lembrança do Enlace em 1908

 

1908 – O Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, filho da Princesa Isabel e herdeiro de seus direitos dinásticos ao trono do Brasil, acaba de contrair núpcias com a Princesa D. Maria Pia de Bourbon-Duas Sicílias.

 

Dessa união haveriam de nascer o Príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1909-1981), pai do atual Chefe da Família Imperial do Brasil; a Princesa D. Pia Maria (Condessa René de Nicolay); e o Príncipe D. Luiz Gastão, falecido em 1931.

 

Em 1913, o “Príncipe Perfeito” – como fora cognominado por seus inúmeros e esperançosos admiradores – publicaria o famoso livro Sob o Cruzeiro do Sul, no qual narrava a viagem efetuada em 1907 ao nosso Continente, e relatava com melancolia sua decepção quando, à entrada da Barra do Rio de Janeiro, foi inteirado de que o Governo federal lhe vedava o desembarque.

 

Ao mesmo tempo, recordava com afeto as numerosas visitas de brasileiros que recebeu, a bordo do transatlântico em que viajava.

 

O anelo de penetrar no Brasil, o Príncipe pôde realizá-lo alguns meses mais tarde, quando, precisando deslocar-se desde Puerto Suárez, na Bolívia, até a localidade paraguaia de Bahia Negra, conseguiu licença para fazê-lo percorrendo uma larga extensão do rio Paraguai, que atravessa o território mato-grossense.

 

Ainda nessa ocasião, porém, o ilustre brasileiro teve de assumir o compromisso de não desembarcar, e de não tomar vapor que arvorasse a bandeira nacional.

 

Sob o Cruzeiro do Sul valeu ao autor a apresentação de sua candidatura à vaga deixada pelo Almirante Barão de Jaceguay na Academia Brasileira de Letras.

 

Devido a fortes pressões políticas, entretanto, por uma pequena diferença de votos foi eleito outro candidato.

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Luís Maria Filipe de Orléans e Bragança (1878-1920)

Até seus últimos instantes, quando, em 1920, faleceu vitimado por enfermidade contraída nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, o Príncipe D. Luiz sempre conservou inabalável o mesmo amor por sua terra natal.

 

E a esta quis dedicar Sob o Cruzeiro do Sul, com as palavras que se tornariam célebres:

 

“Ao Brasil, pátria querida e sempre lembrada,

Afetuosa homenagem do filho ausente”.

Dom Luiz de Orleans e Bragança

(Excerto do Cartão de Natal de 1985 de Dom Luiz de Orleans e Bragança).

 

***

A 4 de novembro de 1908 o Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, segundo filho da Princesa D. Isabel, desposava a Princesa D. Maria Pia de Bourbon-Duas Sicílias.

 

Cem anos transcorridos, é justo dedicar à memória de meus avós paternos o cartão de Natal da Casa Imperial.

Monarquia

D. Luís, Príncipe Imperial, D. Pedro Henrique, Príncipe do Grão-Pará, Princesa D. Isabel, Princesa Pia Maria,

Princesa D. Maria Pia, Gastão d´Orléans, Conde d´Eu e Príncipe Luís Gastão.

 

Em carta de 9 daquele mesmo mês aos membros do Diretório Monárquico brasileiro, a Princesa Isabel se manifestava agradecendo as felicitações pelos consórcios de seus filhos:

 

“O do Luiz teve lugar em Cannes no dia 4 com todo o brilho que desejava para ato tão solene da vida de meu sucessor ao Trono do Brasil. Fiquei satisfeitíssima.

 

O do Pedro deve ter lugar no dia 14 próximo. Antes, assinou ele sua renúncia à Coroa do Brasil, e aqui lha envio, guardando eu papel idêntico.

 

Pedro continuará a amar sua pátria, e prestará a seu irmão todo o apoio que for necessário e estiver ao seu alcance.

 

Graças a Deus são muito unidos. Luiz ocupar-se-á ativamente de tudo o que disser respeito à monarquia e qualquer bem para nossa terra”.

 

Tais palavras traduziam a diligente preocupação da Redentora em afiançar, na sua descendência, a noção viva e eficaz de uma missão histórica a cumprir em relação ao Brasil.

 

Dom Luiz, “homem como poucos, príncipe como nenhum” – na expressão de seu primo e amigo o Rei Alberto I da Bélgica – não teve a possibilidade de realizar os muitos anelos e metas que acalentava em relação à Pátria.

 

Vitimou-o em 1920 inexorável enfermidade contraída nas frias trincheiras da I Grande Guerra, na qual lutara com denodo, deixando em tenra idade os descendentes que lhe dera D. Maria Pia: D. Pedro Henrique, meu Pai, meus tios D. Luiz Gastão e D. Pia Maria.

 

Minha Avó soube fazer seu o empenho da Princesa Isabel, inculcando nos filhos a importância da dinastia que encarnavam e dos deveres que lhes tocavam como príncipes.

 

Combinação admirável de bondade, firmeza de caráter e religiosidade, teve ela notável influência na formação dos netos, exercida até o final de seus longos dias. Legado precioso pelo qual lhe serei sempre comovidamente grato.

 

Neste 2008 que chega a seu fim, o Brasil a bem dizer como um todo se tomou de admiração, ufania e esperança, nas múltiplas celebrações dos 200 anos da Vinda da Família Real, nas quais, muito naturalmente, os espíritos se voltaram para nossa Dinastia, vendo nela a representação viva e perene daquilo que a Pátria tem de mais autêntico.

 

Dom Luiz de Orleans e Bragança

(Excerto do Cartão de Natal de 2008 de Dom Luiz de Orleans e Bragança).